VÍDEO | Arruda critica cabos eleitorais, relembra demissão de 15 mil servidores e gera desconforto entre aliados

Ex-governador afirma que não precisa de apoio político para se eleger, mas reconhece atuação de lideranças que hoje trabalham em sua defesa e reabre debate sobre demissões em massa no GDF


VÍDEO | Arruda critica cabos eleitorais, relembra demissão de 15 mil servidores e gera desconforto entre aliados Em podcast, Arruda minimiza a importância de cabos eleitorais, admite apoio de lideranças ligadas ao governo e relembra a demissão de 15 mil servidores, reacendendo críticas sobre seu legado político.

Por Cláudio Ulhoa

A mais recente participação do ex-governador José Roberto Arruda em um podcast trouxe uma declaração que chamou atenção não apenas pelo conteúdo, mas pela contradição política que carrega.

Ao afirmar que não precisa de cabos eleitorais porque foi eleito governador sem a ajuda de muitos dos nomes que hoje estão ao seu lado, Arruda parece esquecer uma realidade básica da política: ninguém constrói um projeto eleitoral sozinho. Mais curioso ainda foi ouvir o ex-governador reconhecer que atualmente conta com o apoio de diversas lideranças e cabos eleitorais que ocupam espaços dentro do governo e trabalham em sua defesa política.

A fala soou como um recado duro justamente para aqueles que hoje permanecem ao seu lado, mesmo diante de um histórico marcado por condenações judiciais, desgastes políticos e sucessivos questionamentos sobre sua elegibilidade. Em vez de valorizar aliados, Arruda optou por minimizar a importância de quem percorre as ruas, organiza bases eleitorais e mantém vivo seu capital político.

Os 15 mil servidores demitidos

Outro trecho que gerou repercussão foi quando Arruda relembrou seu período à frente do Governo do Distrito Federal e afirmou ter demitido cerca de 15 mil servidores.

A declaração, feita de forma quase natural, reacende um debate que nunca deixou de existir: qual foi o impacto dessas demissões sobre famílias, serviços públicos e a própria estrutura administrativa do DF? Para muitos servidores e seus familiares, o episódio permanece como uma das marcas mais duras daquele período.

Ao mesmo tempo em que busca reconstruir sua imagem política, Arruda parece ignorar que parte significativa da população ainda guarda lembranças dessas decisões. Em política, memória também pesa nas urnas.

Entre o passado e o presente

A fala do ex-governador revela um dilema evidente. Se, de fato, não precisa de cabos eleitorais, por que destacar a existência deles trabalhando em sua defesa atualmente? E se conquistou vitórias sem determinados grupos políticos, qual a necessidade de diminuir aqueles que hoje permanecem ao seu lado?

A política moderna é construída por alianças, articulações e trabalho coletivo. Desqualificar apoiadores pode até agradar uma parcela do eleitorado que valoriza a figura do “líder forte”, mas dificilmente fortalece relações com quem atua diariamente na construção de um projeto político.

No fim das contas, as declarações deixaram mais perguntas do que respostas. E talvez a principal delas seja: quem se sentiu mais atingido pelas palavras de Arruda? Os adversários ou os próprios aliados?





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