Opinião | O candidato que não pode ser candidato: a política do faz de conta de Arruda
Inelegível, José Roberto Arruda convida Rafael Prudente para ser vice e levanta dúvidas sobre a estratégia política do grupo para 2026
Mesmo inelegível, Arruda reaparece nas redes sociais convidando Rafael Prudente para ser vice-governador. A movimentação reacende debates sobre o futuro político do ex-governador e o impacto de suas alianças no cenário eleitoral do Distrito Federal. Por Cláudio Ulhoa
Em Brasília, a política sempre reservou espaço para o improvável. Mas, de tempos em tempos, surge um roteiro tão desconectado da realidade que parece ter saído de uma comédia de mau gosto. O episódio mais recente envolve um vídeo que circula nas redes sociais, no qual o ex-governador José Roberto Arruda convida o deputado federal Rafael Prudente para ser seu vice-governador.
A pergunta que ecoa entre os eleitores é simples: vice de quem?
Afinal, Arruda segue inelegível por decisões judiciais relacionadas a condenações por improbidade administrativa, situação que o impede, neste momento, de disputar eleições. (Superior Tribunal de Justiça) Ainda assim, o ex-governador insiste em movimentar o tabuleiro político como se estivesse plenamente apto a concorrer. É uma estratégia que desafia a lógica e coloca seus aliados diante de um dilema constrangedor: embarcar em um projeto eleitoral cuja principal peça sequer pode entrar em campo.
Se a política é a arte do possível, Arruda parece determinado a transformar o impossível em espetáculo. Convidar um vice para uma candidatura inviável juridicamente não soa como demonstração de força política, mas como um exercício de negação da realidade. Resta saber se é excesso de confiança, falta de bom senso ou apenas a conhecida habilidade de manter seu nome no centro do debate público.
E a lista de potenciais aliados não para por aí. O empresário Paulo Octávio, outro personagem histórico da política brasiliense, volta e meia surge nas especulações em torno do ex-governador. Mas a fórmula parece sempre a mesma: misturar velhos nomes, reciclar antigas alianças e tentar apresentar ao eleitor um projeto que carrega o peso de um passado turbulento.
No imaginário popular, a arruda é uma erva usada para afastar energias negativas. Na política do Distrito Federal, a metáfora parece ter se invertido. O sobrenome Arruda, marcado por escândalos e condenações, continua deixando rastros, criando embaraços e impondo desgaste a quem decide caminhar ao seu lado. Para muitos eleitores, a sensação é de que a política local insiste em revisitar capítulos que Brasília já tentou virar.
O eleitor do Distrito Federal merece mais do que vídeos de pré-campanha sem candidatura, alianças improváveis e promessas que esbarram na Justiça. Merece debate sobre futuro, soluções concretas e lideranças que possam, efetivamente, participar da disputa. Porque, no fim das contas, a pergunta continua sem resposta: quem aceitaria ser vice de alguém que, hoje, não pode ser candidato?




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