Celina Leão defende BRB, promete reação à crise e projeta novo ciclo de gestão no DF
Governadora afirma que banco público será preservado, rejeita privatização e anuncia foco em saúde, tecnologia e reorganização administrativa
Celina Leão defende o BRB, rejeita privatização e sinaliza uma nova fase de gestão no Distrito Federal. Por Cláudio Ulhoa
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, sinalizou nesta semana que pretende conduzir um novo ciclo de gestão no Palácio do Buriti com prioridade para estabilidade institucional, recuperação da confiança no BRB e reforço em áreas sensíveis da administração pública, como saúde e governança.
Em entrevista à CNN, Celina adotou um discurso de firmeza ao tratar da crise envolvendo o Banco de Brasília e o caso Master, mas também buscou transmitir segurança à população ao defender a solidez histórica da instituição e afastar qualquer possibilidade de privatização do banco público.
Segundo a governadora, o BRB atravessa um momento delicado, mas continua sendo um patrimônio estratégico do Distrito Federal. Ao destacar que o banco gera arrecadação ao GDF e mantém milhares de empregos, Celina reforçou que a atual prioridade é preservar a instituição e permitir que a nova gestão avance com medidas capazes de reequilibrar a operação financeira.
A chefe do Executivo local sustentou que o banco tem condições de superar a crise sem abrir mão de sua natureza pública. Na avaliação dela, o episódio não apaga a importância do BRB para a economia do DF nem seu papel histórico no desenvolvimento da capital.
Ao mesmo tempo, Celina deixou claro que pretende imprimir sua própria marca administrativa. Sem romper politicamente com o legado do governo anterior, ela afirmou que sua gestão terá identidade própria, com mudanças em equipes, novas prioridades e uma linha mais centrada em eficiência, controle e entrega de resultados.
Na entrevista, a governadora também buscou enfatizar realizações já consolidadas no Distrito Federal, especialmente na educação. Ela citou o fim da fila por vagas em creches e a ampliação da rede de ensino como sinais de que a capital vem alcançando avanços relevantes em áreas estruturantes.
Na saúde, reconheceu os desafios ainda existentes, sobretudo nas filas e na pressão sobre a rede pública, mas indicou uma agenda de reorganização baseada em inteligência de dados, reforço de pessoal e ampliação da capacidade de atendimento. Entre as medidas mencionadas, estão ações para destravar cirurgias eletivas e ampliar o uso de estruturas privadas em horários alternativos, numa tentativa de acelerar o fluxo assistencial.
Outro ponto central da fala foi a defesa de uma administração mais tecnológica. Celina afirmou que o GDF vem avançando na criação de instrumentos de governança digital para qualificar decisões, integrar informações e atacar gargalos históricos da máquina pública. A aposta, segundo ela, é tornar o governo mais eficiente e responsivo.
No campo político, a governadora pregou unidade no campo da direita e evitou aprofundar tensões com aliados e ex-integrantes da gestão anterior. Ainda assim, reiterou que sua postura será de independência diante de eventuais erros ou irregularidades, ressaltando que não haverá blindagem política para quem tiver responsabilidade comprovada.
A entrevista também teve um peso simbólico importante: ao falar de crise, entregas e futuro no mesmo espaço, Celina procurou passar a mensagem de que o Distrito Federal não ficará paralisado por turbulências políticas ou financeiras. Pelo contrário, o discurso foi o de continuidade administrativa com correção de rota.
Ao defender o BRB, reafirmar a importância do Fundo Constitucional e anunciar novas frentes em saúde e gestão, Celina Leão tenta consolidar uma imagem de comando em um momento sensível para o DF. O recado foi claro: o governo quer virar a página da instabilidade sem abrir mão de ativos estratégicos e sem interromper projetos considerados essenciais para a população.




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