Celina mira novo eixo econômico no DF

Em discurso no Brasília Summit, governadora aposta em tecnologia, integração de dados e setores de maior valor agregado para reduzir a dependência histórica do serviço público


Celina mira novo eixo econômico no DF Celina Leão defende tecnologia, integração de dados e diversificação econômica como caminho para modernizar a gestão e reduzir a dependência do serviço público no DF.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, defendeu nesta quarta-feira, 15 de abril, uma mudança estrutural no modelo econômico de Brasília. Durante participação no 6º Brasília Summit, realizado no Brasília Palace Hotel, a chefe do Executivo afirmou que o DF precisa combinar inovação tecnológica, integração de sistemas e diversificação econômica para ganhar eficiência administrativa e diminuir a dependência histórica do serviço público.

A declaração ocorre em um momento em que o governo tenta reposicionar a imagem de Brasília não apenas como centro político do país, mas também como ambiente capaz de atrair investimentos em tecnologia, economia verde, bioinsumos e serviços de maior valor agregado. No evento, Celina afirmou que a capital precisa buscar uma nova vocação econômica e financeira, sustentada por planejamento, dados e modernização da máquina pública.

O principal argumento apresentado pela governadora foi o de que a gestão pública ainda sofre com estruturas fragmentadas, sistemas que não se conversam e dificuldade de transformar informação em decisão. Segundo ela, esse modelo compromete a eficiência do Estado e aumenta a margem para erros administrativos. Ao defender uma gestão orientada por dados, Celina sinaliza que o GDF quer vender a imagem de um governo mais técnico, mais digital e menos dependente de processos burocráticos antigos.

Esse discurso se conecta diretamente com uma medida recente adotada pelo próprio governo: a criação da Secretaria de Governança Digital e Integração, oficializada pelo Decreto nº 48.467, publicado em 10 de abril de 2026. A nova pasta foi apresentada como peça central da estratégia de unificação de sistemas, integração de dados governamentais e ampliação dos serviços digitais ao cidadão.

Na prática, a mensagem do governo é clara: a modernização administrativa não será tratada apenas como pauta de tecnologia, mas como instrumento de reorganização do próprio modelo de desenvolvimento do Distrito Federal. O problema é que esse debate não é novo. Há anos Brasília convive com a crítica de que sua economia gira em torno do setor público, o que limita a expansão de outros segmentos e reduz a capacidade de geração de riqueza de forma mais distribuída. O diferencial agora está na tentativa de associar transformação digital, atração de investimentos e mudança de base econômica em um mesmo discurso político.

Celina também elevou o tom ao afirmar que eficiência, eficácia, experiência e preparo deveriam ser critérios mínimos para qualquer pessoa disputar cargos no Executivo. A fala tem peso político porque reforça uma linha de posicionamento voltada à gestão e à cobrança por resultados, em um ambiente onde a administração pública costuma ser pressionada por lentidão, excesso de etapas e baixa integração entre órgãos.

Embora o discurso tenha apelo técnico e político, o desafio real está fora do palco. Mudar o eixo econômico do DF exige mais do que intenção: depende de ambiente regulatório favorável, segurança jurídica, atração de empresas, qualificação de mão de obra e capacidade de transformar inovação em emprego e arrecadação. Sem isso, a fala se mantém no campo da narrativa. Com execução, pode abrir espaço para uma nova fase econômica para Brasília. Essa é a parte que o governo ainda precisará provar na prática.




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