Fim da “cera”? Futebol terá novas regras
Comitê internacional aprova medidas rígidas para acelerar o jogo e reduzir perda de tempo já na próxima temporada
IFAB aprova novas regras para acelerar o futebol e reduzir perda de tempo nas partidas. O futebol mundial vai passar por mudanças significativas a partir da temporada que antecede a Copa do Mundo de 2026. O International Football Association Board (IFAB), órgão responsável por definir as regras do jogo, aprovou um pacote de medidas para combater a chamada “cera”, prática utilizada por equipes para retardar reinícios e administrar resultados.
A decisão ocorre em meio a críticas recorrentes de torcedores, analistas e ex-atletas sobre o tempo efetivo de bola rolando nas partidas. Estudos recentes apontam que, em competições de alto nível, o tempo real de jogo dificilmente ultrapassa 60 minutos, mesmo em partidas com 90 minutos regulamentares.
O que muda na prática
Entre as principais alterações aprovadas estão:
Contagem regressiva em reinícios
Árbitros poderão iniciar contagem visível de cinco segundos em cobranças de lateral e tiro de meta. Se a equipe não reiniciar o jogo dentro do tempo estabelecido, a posse poderá ser revertida ao adversário.
Saída obrigatória rápida em substituições
Jogadores substituídos terão prazo máximo para deixar o gramado. Caso excedam o tempo permitido, o substituto poderá ser impedido de entrar imediatamente, criando desvantagem temporária para o time que tentou retardar o jogo.
Atendimentos médicos com permanência fora de campo
Atletas atendidos em campo deverão permanecer fora por um período mínimo após a retomada da partida, salvo em casos de lesões graves. A medida busca evitar paralisações estratégicas.
Impacto na Copa do Mundo
As novas regras devem estar plenamente vigentes na Copa do Mundo FIFA 2026, que será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá. A expectativa é de que a competição sirva como vitrine global para testar a efetividade das mudanças.
A discussão sobre o tempo de bola rolando ganhou força após experiências recentes com acréscimos mais longos, especialmente na Copa do Mundo de 2022, quando a arbitragem passou a compensar com mais rigor as interrupções.
Ajustes no VAR
O IFAB também ampliou possibilidades de revisão pelo árbitro de vídeo, incluindo situações de erro em aplicação de segundo cartão amarelo e equívocos na identificação de atletas punidos. O objetivo declarado é reduzir injustiças disciplinares que alteram o rumo das partidas.
Debate inevitável
As medidas dividem opiniões. Defensores argumentam que o futebol precisa preservar sua dinâmica e atratividade comercial, especialmente em um cenário de transmissão digital, apostas esportivas e audiência fragmentada. Críticos alertam para o risco de excesso de intervenção e burocratização da arbitragem.
O fato é que o futebol vive uma fase de ajustes estruturais. Com calendários mais intensos, contratos bilionários de direitos de transmissão e pressão por espetáculo, a tolerância à perda deliberada de tempo diminuiu.
Resta saber se as novas regras, na prática, conseguirão transformar a cultura da “cera” em algo residual ou se os clubes encontrarão novas formas de administrar o relógio. O teste real começa na próxima temporada e o mundo inteiro estará de olho.




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