A conta chegou | disputa pelo comando do MDB reacende discussão sobre o passado do BRB

Em meio à guerra interna do partido, cresce a pressão para identificar os verdadeiros responsáveis pelos problemas que atingiram a instituição financeira.


A conta chegou | disputa pelo comando do MDB reacende discussão sobre o passado do BRB Disputa interna no MDB reacende debate sobre responsabilidades pela crise que colocou o BRB sob investigação.

A crise interna que hoje divide o MDB do Distrito Federal ganhou um novo capítulo após o deputado federal Rafael Prudente divulgar um vídeo questionando as medidas adotadas pela governadora Celina Leão em relação ao BRB. Em tom crítico, o parlamentar pergunta: "Quem vai pagar essa conta?"

A pergunta é pertinente. Mas talvez ela devesse ser direcionada a outro endereço.

O debate sobre o BRB não começou agora. Os problemas que hoje desafiam a atual gestão não nasceram em 2026. Foram construídos ao longo dos últimos anos, durante um governo que tinha o MDB como protagonista político e cujo governador era Ibaneis Rocha.

Foi justamente nesse período que decisões envolvendo a administração do banco passaram a ser questionadas por órgãos de investigação. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, já foi alvo de medidas judiciais e investigações que colocaram a instituição sob intensa exposição pública.

Diante desse cenário, causa estranheza que alguns integrantes do próprio MDB tentem transferir integralmente para Celina Leão a responsabilidade por uma crise que ela não criou. A governadora assumiu uma máquina pública já em funcionamento, com contratos assinados, compromissos estabelecidos e problemas herdados.

Governar não é apenas colher os frutos dos acertos. Muitas vezes é administrar as consequências dos erros acumulados por outros.

Se existem operações sob investigação, os responsáveis devem responder individualmente por seus atos. Se houve falhas de gestão, que sejam apuradas. Se houve irregularidades, que a Justiça determine quem deve ser responsabilizado.

O que não parece razoável é transformar a governadora em alvo principal de uma crise cuja origem remonta a decisões tomadas antes de sua chegada ao comando do Palácio do Buriti.

Ao mesmo tempo em que enfrenta desafios administrativos, Celina também se vê no centro de uma disputa política dentro do MDB. Não por acaso, suas manifestações públicas de apoio ao presidente da CLDF, Wellington Luiz, ocorreram justamente no momento em que setores da legenda tentam redesenhar o comando partidário no Distrito Federal.

A pergunta feita por Rafael Prudente continua válida: quem vai pagar a conta?

Mas antes de buscar a resposta, talvez seja necessário identificar quem assinou a fatura.




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