Alta do diesel acende alerta de paralisação

Alta nos combustíveis pressiona caminhoneiros, expõe limite das medidas do governo e reacende risco de paralisação no país


Alta do diesel acende alerta de paralisação Caminhoneiros voltam a pressionar governo diante da alta do diesel e risco de paralisação nacional.

Por Cláudio Ulhoa

O Brasil volta a conviver com um cenário que já mostrou seu potencial de impacto: a possibilidade de uma nova greve de caminhoneiros. Representantes da categoria alertaram o governo federal sobre a insatisfação crescente com o aumento do preço do diesel, considerado abusivo em diversas regiões do país.

Em estados do Centro-Oeste, o litro do combustível já registra alta superior a R$ 0,60 em poucos dias, pressionando diretamente os custos de operação. O problema, segundo os profissionais do setor, é que a elevação chega na ponta sem que as medidas anunciadas pelo governo consigam frear a escalada.

Para tentar conter o avanço dos preços, o Planalto zerou tributos federais como PIS e Cofins e anunciou um subsídio de R$ 0,32 por litro. Ainda assim, relatos de caminhoneiros indicam que o alívio não tem sido percebido nas bombas. Na prática, o diesel continua subindo.

A raiz do problema está fora do Brasil. A escalada do conflito no Oriente Médio tem impulsionado o preço do petróleo no mercado internacional, criando uma pressão que atinge diretamente os combustíveis. Com o barril em trajetória de alta e projeções ainda mais elevadas, o cenário global reduz a margem de manobra do governo.

Outro fator crítico é a defasagem dos preços praticados no país. Hoje, o diesel vendido internamente está abaixo do valor de paridade internacional, o que indica que reajustes futuros são praticamente inevitáveis. Caso isso ocorra de forma abrupta, o impacto pode ser imediato no bolso dos caminhoneiros.

O efeito disso vai além da categoria. O transporte rodoviário é a espinha dorsal da logística brasileira, responsável por levar alimentos, medicamentos e insumos para todo o território nacional. Qualquer aumento relevante no frete tende a se espalhar pela economia, pressionando a inflação e atingindo diretamente o consumidor.

Nos bastidores, cresce também a discussão sobre a redução do ICMS, imposto estadual que representa uma fatia significativa do preço final do combustível. A medida, no entanto, depende de negociação com governadores e exigiria compensações financeiras, o que torna sua implementação complexa.

Há ainda dúvidas sobre a estratégia fiscal adotada pelo governo. A proposta de criar um novo imposto sobre exportação de petróleo para financiar o subsídio levanta questionamentos, especialmente pelo histórico recente de baixa arrecadação com iniciativas semelhantes.

O cenário, portanto, é de tensão crescente. Sem uma solução estrutural que equilibre os preços internos e reduza a pressão sobre o setor, a possibilidade de paralisação nacional deixa de ser apenas um alerta e passa a ser tratada como um risco concreto.

A história recente mostra o tamanho do impacto. Em 2018, uma greve de caminhoneiros foi suficiente para desabastecer cidades, travar a economia e gerar prejuízos bilionários. Agora, diante de um novo ciclo de alta nos combustíveis, o país pode estar novamente à beira de repetir esse episódio.




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