Mauro Campbell e PT atacam o BRB e ameaçam o DF
Decisão do corregedor Mauro Campbell Marques e discurso de parlamentares do Partido dos Trabalhadores reacendem debate sobre federalização e ameaçam autonomia financeira do Distrito Federal
Sede do BRB em Brasília, símbolo da autonomia financeira do DF em meio à pressão política. O Banco de Brasília (Banco de Brasília (BRB)) voltou ao centro do debate político no Distrito Federal após uma série de manifestações de parlamentares da oposição defendendo, de forma aberta, a federalização ou até mesmo a liquidação da instituição. Nos bastidores, a avaliação de integrantes do governo local é de que a ofensiva tem caráter estratégico: enfraquecer o BRB como ativo essencial da gestão do governador Ibaneis Rocha.
O movimento ganhou novo fôlego depois que o corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, determinou que tribunais que utilizam o banco para folhas de pagamento e depósitos judiciais prestassem esclarecimentos ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A decisão foi recebida com surpresa por especialistas do setor financeiro, que apontam possível extrapolação de competência, já que a supervisão bancária é atribuição direta do Banco Central do Brasil.
Na prática, os depósitos judiciais e as folhas de pagamento de estados como Maranhão, Bahia, Paraíba, Alagoas e do próprio Distrito Federal representam uma importante fonte de liquidez para o BRB. A eventual retirada desses recursos pode comprometer o equilíbrio financeiro da instituição e gerar reflexos negativos não apenas para o banco, mas para toda a economia local.
Apesar do cenário de pressão, o BRB tem adotado postura técnica e transparente. A direção apresentou ao Banco Central um plano de recuperação que prevê venda de ativos, captação de recursos e proposta de quitação junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A estratégia busca preservar a solidez da instituição, reforçar a governança e garantir segurança aos correntistas e investidores.
Internamente, o banco sustenta que os prejuízos recentes não foram provocados pela atual gestão, mas herdados de operações vinculadas ao Banco Master, realizadas em períodos anteriores. A atual administração afirma que vem atuando para reorganizar a casa, corrigir distorções e proteger o patrimônio público.
Aliados do Palácio do Buriti avaliam que parte da oposição, especialmente ligada ao Partido dos Trabalhadores (PT), tem utilizado a crise como instrumento político. Para esse grupo, a narrativa da federalização não busca solucionar problemas, mas transferir o controle do banco à União, retirando do DF um dos seus principais instrumentos de política financeira e desenvolvimento regional.
A perda da autonomia sobre o BRB significaria, na avaliação de técnicos, redução da capacidade do governo local de fomentar crédito, apoiar micro e pequenos empreendedores, financiar políticas públicas e impulsionar investimentos estratégicos. Em outras palavras, enfraquecer o banco é, também, enfraquecer o próprio Distrito Federal.
Enquanto o embate político se intensifica, o BRB segue operando normalmente, mantendo serviços, honrando compromissos e reafirmando seu papel como patrimônio dos brasilienses. Para o setor produtivo, servidores e milhares de clientes, a expectativa é de que o debate seja conduzido com responsabilidade, sem uso eleitoral de uma instituição que tem papel central na economia local.





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