Tensão no PL de Goiás provoca bate-boca e intervenção policial na Alego
Discussão entre deputados estaduais sobre ausência de Wilder Morais em votação no Senado elevou crise interna do partido e encerrou sessão antes do previsto.
Discussão entre deputados do PL termina com ameaça de morte em Goiás após ausência de Wilder Morais em votação no Senado. A crise interna no PL de Goiás ganhou novos capítulos nesta quinta-feira (8) após uma discussão explosiva entre os deputados estaduais Amauri Ribeiro e Major Araújo dentro da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). O embate, motivado pela ausência do senador Wilder Morais em uma votação considerada estratégica no Senado Federal, terminou com ameaça de morte, troca de ofensas e intervenção policial.
O episódio aumentou ainda mais o desgaste interno do Partido Liberal em Goiás e expôs publicamente a divisão entre aliados do senador Wilder Morais e parlamentares que passaram a questionar sua postura política.
A confusão começou após Amauri Ribeiro criticar duramente a ausência do senador goiano durante a votação que analisava a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Segundo Amauri, a ausência foi “uma vergonha para Goiás”, já que, na avaliação dele, um único voto poderia influenciar diretamente o resultado da análise no Senado.
Durante sessão realizada no último dia 30 de abril, Amauri declarou que dois senadores goianos votaram contra a indicação, enquanto Wilder se ausentou. A fala repercutiu mal entre aliados do senador e abriu uma guerra interna no PL goiano.
Na sessão seguinte, Major Araújo saiu em defesa de Wilder Morais e atacou Amauri Ribeiro, questionando sua recente filiação ao partido. Amauri deixou o União Brasil e ingressou no PL no início de abril, movimento que já vinha gerando desconforto entre integrantes históricos da legenda.
O clima esquentou rapidamente. Em meio às provocações, Major chamou Amauri de “Joice Hasselmann do PL”, numa referência a supostos ataques internos dentro do partido. Amauri respondeu chamando o colega de “soldadinho de brinquedo”. A troca de insultos continuou com acusações de “burro”, “canalha” e “vagabundo”.
A tensão atingiu o ápice nesta quinta-feira, quando a sessão plenária precisou ser encerrada antes do previsto. Mesmo após o encerramento oficial, os parlamentares continuaram discutindo nos corredores da Alego.
Segundo relatos de bastidores, Amauri teria dito: “Não deixa eu pôr a mão em você não”. Em resposta, Major Araújo disparou: “Põe a mão em mim pra você ver. Amanhã você amanhece morto”.
Diante da gravidade da situação, policiais foram acionados para conter os ânimos dentro da Assembleia. Pouco depois, os dois deputados deixaram o plenário.
O episódio gerou forte repercussão nos bastidores políticos de Goiás e ampliou os questionamentos sobre a estabilidade interna do PL no estado, especialmente em um momento em que Wilder Morais é apontado como pré-candidato ao governo goiano.
A crise também evidencia o clima de radicalização política que vem contaminando debates institucionais no país, levando discussões partidárias para níveis cada vez mais agressivos dentro do ambiente parlamentar.
Embora não haja registro oficial de agressão física, a ameaça verbal feita durante o confronto poderá provocar desdobramentos políticos e até jurídicos nos próximos dias.




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