Uai, Arruda foi “expulso” de Ceilândia aos gritos FORA ARRUDA!!
Ex-governador deixa evento sob gritos e reacende debate sobre capital político que já não parece o mesmo de outros tempos
Arruda deixa evento em Ceilândia após reação do público e episódio reacende debate sobre sua popularidade no DF Por Cláudio Ulhoa
Uai… Arruda expulso de evento em Ceilândia? Não era ele mesmo quem dizia, com convicção quase folclórica, que era mais popular que Joaquim Roriz?
Pois é. A política tem dessas ironias que nem roteiro de cinema ousaria escrever.
Segundo relatos divulgados nas redes sociais, o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, deixou às pressas um evento de aniversário de Ceilândia após gritos de “fora Arruda” vindos de parte do público. Nada muito raro na política brasileira atual, diga-se de passagem. Mas curioso, e simbólico, quando envolve alguém que, durante anos, construiu a própria narrativa em cima da ideia de popularidade quase imbatível.
Ceilândia, aliás, não é qualquer lugar no mapa político do DF. É território de memória eleitoral, de tradição popular e de história diretamente ligada à trajetória de Roriz. Justamente por isso, o episódio ganha um peso político que vai muito além de um constrangimento momentâneo.
Porque a pergunta que fica é inevitável: onde foi parar aquela popularidade toda?
Durante muito tempo, Arruda sustentou o discurso de que tinha um capital político comparável, ou até superior ao do maior líder popular da história recente do DF. Era uma aposta alta. Altíssima. Comparar-se a Roriz nunca foi uma frase neutra. Sempre foi uma declaração estratégica.
Mas popularidade de verdade não vive de discurso. Vive de rua.
E a rua fala.
Às vezes fala alto.
Às vezes fala em coro.
E, às vezes, pede para sair.
É claro que episódios assim não definem sozinhos a trajetória de ninguém. Política não é feita de um evento isolado. Nem de um vídeo viral. Nem de um recorte de rede social. Mas também não dá para fingir que não dizem nada. Dizem sim. Especialmente quando acontecem em locais simbólicos e em datas públicas.
Existe uma diferença enorme entre ser lembrado politicamente e ser bem recebido politicamente.
Ser lembrado é memória.
Ser bem recebido é força.
E força política se mede justamente nesses momentos espontâneos, onde não há roteiro, palco controlado ou plateia selecionada.
Se Arruda ainda acredita que mantém a mesma popularidade que já reivindicou no passado, talvez valha a pena ouvir melhor o que a rua anda dizendo. Porque Ceilândia, convenhamos, raramente manda recado errado.
Ou será que mandou?
Uai…




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