Carnaval vira palanque político? Uai, é sério isso?
Escola de samba homenageia Lula, ataca evangélicos e expõe dois pesos e duas medidas da Justiça
Carnaval ou comício? Uai, quando a cultura vira instrumento político com dinheiro público, algo está errado. Por Cláudio Ulhoa
O que era para ser festa, arte e celebração da cultura brasileira virou palco de disputa política. Uai, é isso mesmo que estamos vendo? A escola Acadêmicos de Niterói transformou o desfile em uma clara manifestação ideológica, com homenagem explícita ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ataques simbólicos a evangélicos e representações que ridicularizam o ex-presidente Jair Bolsonaro.
E aí fica a pergunta que não quer calar: isso é arte ou campanha antecipada?
Quando uma escola de samba, financiada direta ou indiretamente por recursos públicos, usa a avenida para promover um governante e atacar adversários e grupos religiosos, estamos diante de algo grave. Não é liberdade artística pura. É instrumentalização política de um evento popular, pago com o dinheiro do contribuinte.
Mais grave ainda é o simbolismo usado. Pessoas vestidas como “pote de conserva”, associando evangélicos ao conservadorismo de forma caricata e depreciativa. Um segmento inteiro da sociedade foi tratado como motivo de chacota. Isso não é crítica social responsável. É desprezo disfarçado de espetáculo.
Ao mesmo tempo, um carro alegórico representando Bolsonaro como preso reforça uma narrativa política específica, em pleno ano pré-eleitoral. Coincidência? Uai, difícil acreditar.
A senadora Damares Alves chegou a afirmar que acionou o Ministério Público Eleitoral e ingressou com ação questionando a moralidade do desfile. Depois, a Justiça rejeitou a ação. Tudo certo, então? Nada a ver com propaganda? Nada irregular?
Curioso, porque Bolsonaro foi punido e tornado inelegível por uma reunião com embaixadores e pelo uso simbólico do 7 de Setembro. Na época, disseram que houve abuso político. Agora, diante de uma homenagem explícita em um dos maiores eventos culturais do país, o entendimento muda?
Uai… por quê?
Dois pesos e duas medidas? Hipocrisia institucional? Conveniência política? Ou aquele velho “jeitinho” brasileiro, em que tudo se resolve nos bastidores?
A legislação eleitoral é clara ao proibir propaganda antecipada com uso de estrutura pública. Quando um presidente aparece como protagonista positivo em um espetáculo financiado com recursos estatais, o mínimo que se espera é investigação rigorosa. Não vista grossa.
Não se trata de censurar artistas. Não se trata de calar opiniões. Trata-se de responsabilidade com o dinheiro público e com a democracia. Cultura não pode virar comitê eleitoral. Carnaval não pode virar palanque.
O mais preocupante é a normalização disso tudo. Parte da imprensa silencia. Parte do Judiciário relativiza. Parte da sociedade finge que não vê. E, assim, vamos aceitando que eventos populares sejam usados para consolidar projetos de poder.
Enquanto isso, o cidadão comum paga a conta.
Paga o desfile.
Paga a propaganda.
Paga a divisão.
Paga o ódio.
E ainda é chamado de intolerante quando questiona.
Uai, desde quando defender isonomia virou extremismo?
Não é sobre Lula ou Bolsonaro. É sobre regra igual para todos. É sobre não permitir que o Estado seja usado como ferramenta de campanha. É sobre preservar o Carnaval como patrimônio cultural, não como trincheira ideológica.
Se fosse outro lado fazendo o mesmo, a reação seria imediata. Por que agora não é?
A democracia não morre de uma vez. Ela vai sendo corroída aos poucos, na passarela, no silêncio, na conivência.
E quando percebemos, já virou rotina.
Uai… e a gente vai continuar fingindo que é normal?





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