UAI! Lulinha fora do país no auge da CPMI do INSS?
Pedido de quebra de sigilos coloca Lulinha no centro da CPMI do INSS
Viagem de Lulinha durante o avanço da CPMI do INSS gera críticas e levanta dúvidas sobre transparência no governo federal. Por Cláudio Ulhoa
UAI! Em Brasília, quando o noticiário começa a tropeçar nas próprias coincidências, o mineiro dentro da gente coça a cabeça. O relator da CPMI do INSS pediu a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Até aqui, o que existe é um requerimento regimental, um instrumento legítimo de investigação. Mas o que veio junto foi o barulho político, e uma pergunta que ecoa nos corredores: por que o personagem central do pedido não está no Brasil justamente agora?
É preciso cuidado com as palavras. Ninguém está afirmando culpa. Não se condena ninguém por manchete. O ponto é outro: a narrativa pública. Se a CPMI investiga um esquema bilionário que teria sangrado aposentados e pensionistas, e se o nome de Lulinha aparece em relatos, relações e proximidades descritas por testemunhas, o mínimo esperado é transparência ativa. Quem não deve, não teme, frase gasta, eu sei, mas ainda válida quando o assunto é confiança institucional.
O governo costuma repetir que investigações devem “doer a quem doer”. Pois bem. Chegou a hora de provar que não é só discurso de palanque. A quebra de sigilos, quando justificada e autorizada, não é perseguição; é método. É o Estado dizendo: “vamos aos fatos”. O problema surge quando a base governista parece se mexer mais para frear do que para esclarecer. Aí o “uai!” vira interrogação grande.
E a ausência? Em política, timing é tudo. Estar fora do país no momento em que um pedido desses ganha corpo não é crime. Mas também não é irrelevante. A percepção pública conta. Se a investigação é séria, depor, colaborar e esclarecer são atitudes que pacificam o ambiente e desmontam teorias. Fugiu? Não dá para afirmar. Coincidiu? Talvez. Convenceu? Ainda não.
Há outro ponto incômodo: a tentativa de empurrar o foco para terceiros, como se equivalência resolvesse dúvidas. Não resolve. CPMI não é ringue de distrações. É lupa. E a lupa, goste-se ou não, está apontada para quem aparece no fio da meada. Se amanhã surgir algo contra qualquer outro nome, que se investigue também. Sem seletividade.
No fim, o Brasil não precisa de heróis nem vilões fabricados. Precisa de coerência. Se a promessa é investigar sem blindagens, que assim seja. Se não há nada a esconder, que se mostre. Porque, do jeito que está, fica difícil pedir confiança ao país quando o roteiro parece ensaiado para evitar perguntas. UAI! Transparência não deveria assustar ninguém.





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